dialética negativa

Thursday, September 06, 2012

Demoniocracia X Santa indiferença do cosmos



E se houvesse eleição universal para a presidência divina do universo? E se os deuses-candidatos se manifestassem com quasares cujo brilho serviria para ganhar os votos de outras galáxias? E se isso é o que de fato ocorre, de big-bang em big-bang? E se essa é a explicação para a imperfeição do mundo?
A política é o espelho da essência corrompida do ser? Não há um deus maligno, mas uma democracia maligna, uma demoniocracia que rege a mudança de deuses corruptos?

Esse tipo de hipótese absurda serve para eu me convencer exatamente do contrário: o universo é regido por mistérios inconcebíveis e infinitamente melhores que uma hipótese infernal. E aí, com a mesma sensação de sair de um filme de terror, acho que, apesar de a ordem social ser o inferno da exploração da maioria por poucos, há algo maior que, graças ao soberano acaso, é indiferente e superior ao mal e ao bem.

Sim, e apesar da maioria ter aquela monumental inveja dos poucos ricos capitalistas, mal sabe que esses poucos são também miseravelmente infelizes, viciados em jatinhos, imóveis, terrenos, lucros estratosféricos, consumo irrefreável, cocaína e sado-masoquismo. Que bom que não são eles os donos nem de uma galáxia, somente de uma variação de metamorfose rara da matéria! E que bom que a inveja da maioria da maioria também não tem a chance de fazer nada a não ser uma roubalheira mútua, à imagem e semelhança da corrupção dos seus dominadores, que, cosmiscamente falando, não é nada!
E o melhor de tudo é que a minoria da maioria explorada e a minoria da minoria no poder tenta justificar belamente, para si mesma, a raridade de sua existência!

Para quem se angustia com a falta de sentido de um cosmos sem extraterrestres, temos de agradecer pelo governo brasileiro não ser a grande potência mundial, muito menos ser o senhor do universo. Essa sim é a prova irrefutável de uma sorte de graça

Os dois maiores consolos: primeiro, o universo está a salvo da queda do homem, segundo, o inferno da desigualdade brasileira é só a periferia da periferia de uma galáxia periférica.

Eduardo Guerreiro Losso

6 Comments:

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    By Blogger Nina de Oliveira, at 6:11 AM  

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    By Blogger Nina de Oliveira, at 6:15 AM  

  • Acredito que justamente por sermos tão insignificantes e frágeis podemos até certo ponto entender e reconhecer o infinito. E a eterna busca pela sua existência é o que garante ao homem a sua "superioridade" embora realmente acredite que não somos aptos ainda a estabelecer grande relevância no universo; podemos agradecer por não sermos tão importantes e não termos um papel definitivo mas ao menos tempo novamente reconhecemos "um" como "tudo". Sendo assim, somos apenas uma mera peça da engrenagem mas estamos bem assim porque é onde merecemos estar, mas isso não causa um desconforto, e sim um alívio. Parece estranho mas o sentimento é verdadeiro. Só me pergunto se isso poderia mudar.

    By Blogger Nina de Oliveira, at 6:15 AM  

  • Acredito que justamente por sermos tão insignificantes e frágeis podemos até certo ponto entender e reconhecer o infinito. E a eterna busca pela sua existência é o que garante ao homem a sua "superioridade" embora realmente acredite que não somos aptos ainda a estabelecer grande relevância no universo; podemos agradecer por não sermos tão importantes e não termos um papel definitivo mas ao menos tempo novamente reconhecemos "um" como "tudo". Sendo assim, somos apenas uma mera peça da engrenagem mas estamos bem assim porque é onde merecemos estar, mas isso não causa um desconforto, e sim um alívio. Parece estranho mas o sentimento é verdadeiro. Só me pergunto se isso poderia mudar.

    By Blogger Nina de Oliveira, at 6:18 AM  

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    By Blogger Ecos alquímicos, at 12:42 PM  

  • Daqui a uns 100 ou 200 anos, se a humanidade sobreviver a si mesma e continuar o seu progresso tecnológico, isso até pode mudar; tipo da hipótese que pouco nos diz respeito, mas especular também é viver.

    By Blogger Ecos alquímicos, at 12:45 PM  

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