dialética negativa

Wednesday, May 03, 2017

CURSO DE EXTENSÃO: A teoria da literatura em seus textos fundamentais - 2017

CURSO DE EXTENSÃO: A teoria da literatura em seus textos fundamentais: apoio à formação de monitores

Data: terça-feira, de  16 de maio a 5 de setembro, 14h, sala F-223

O curso pretende apresentar e discutir textos fundamentais para a constituição da teoria da literatura ao longo do século XX, procurando, desse modo, criar uma base sólida e comum para aqueles alunos que atuam como monitores de Teoria da Literatura e para o público em geral que pretenda estabilizar os conhecimentos de teoria da literatura visando ao desempenho docente. O curso pretende oferecer uma visão panorâmica, porém evitando os manuais de teoria ou os resumos da sua história, apelando às fontes primárias dos movimentos e observando como esses textos foram lidos ao longo do século e em diversos lugares, e estabelecendo pontes com seu contexto de produção e com outros textos e disciplinas. O curso pretende incentivar o exercício docente dos participantes, que estarão encarregados de realizar apresentações periódicas, treinando, assim, a capacidade de resposta às expectativas dos alunos, e a capacidade expositiva clara e o domínio do tópico. O curso será organizado com um encontro semanal de 2 horas. Cada texto proposto no programa será apresentado e discutido ao longo de dois encontros.
Conteúdo programático: 
1) 16 e 23 de maio: Danielle Corpas - Walter Benjamin, "Pequena história da fotografia". Leitura complementar: Siegfried Kracauer, "A fotografia"
2) 30 de maio e 6 de junho: Flavia Trocoli - Didi-Hubermann/Proust 
3) 13 e 20 de junho: João Camillo Penna - Gilles Deleuze: "Literatura e vida" (in: Crítica e clínica). Leitura complementar: Giorgio Agamben: "Forma-de-vida" (in: Meios sem fim); Michel Foucault: "A escrita de si"  (in: Ditos e escritos, V).
5) 17 de agosto e 24 de agosto (mudo o dia para quinta): Eduardo Guerreiro B. Losso - Fredric Jameson: “Pós-modernismo ou a lógica cultural do capitalismo tardio”. Leitura complementar: Jean Baudrillard, "A precessão dos simulacros" e Guy Debord- A separação Acabada
6) 29 de agosto e 5 de setembro: Alberto Pucheu - "Ideia da prosa", Agamben.

Sunday, April 30, 2017

teoria literária I - anotações



Para maio de 2017


“Somos levados a contemplações bem agradáveis quando lidamos com o lado poético da alquimia, ao podermos designá-la a nosso modo, com o espírito livre.”
Goethe

Baudelaire
"Aqueles que não são poetas não compreendem estas coisas. Fourier veio um dia, com demasiada pompa, revelar-nos os mistérios da analogia. Não nego o valor de algumas de suas minuciosas descobertas, embora acredite que seu cérebro estava excessivamente tomado de exatidão material para não cometer erros e para atingir de pronto a certeza moral da intuição. Ele poderia ter-nos revelado, de modo igualmente precioso, todos os excelentes poetas nos quais a humanidade leitora faz sua educação, tanto quanto na contemplação da natureza. Aliás, Swedenborg, que possuía uma alma bem maior, já nos ensinara que o céu é um homem muito grande; que tudo, forma, movimento, número, cor, perfume, no espiritual como no natural, é significativo, recíproco, converso, correspondente. Lavater, limitando à face do homem a demonstração da universal verdade, nos havia traduzido o sentido espiritual do contorno, da forma, da dimensão. Se estendermos a demonstração (não só temos esse direito, como nos seria infinitamente difícil proceder de outra forma), chegaremos à verdade de que tudo é hiero glífico, e bem sabemos que os símbolos não são obscuros senão de uma maneira relativa, isto é, segundo a pureza, a boa vontade ou a clarividência inata das almas. Ora, o que é um poeta (uso a palavra em sua acepção mais ampla), senão um tradutor, um decifrador? Nos excelentes poetas, não há metáfora, comparação ou epíteto que não seja de uma adaptação matematicamente exata na circunstância atual, porque essas comparações, essas metáforas e esses epítetos são colhidos ao inesgotável fundo da universal analogia, e porque não podem ser colhidos alhures. Agora, perguntarei se encontraremos, procurando minuciosamente, não somente em nossa histeria, mas na história de todos os povos, muitos poetas que sejam, como Victor Hugo, um repertório tão magnífico de analogias humanas e divinas."
Baudelaire, Reflexão sobre alguns de meus contemporâneos, Vitor Hugo. In: Baudelaire, Charles. Poesia e prosa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2006, p. 595-596.

"A cismadora criança experimenta a vertigem do azul e a alma escapa, sedenta de amplidão, e voa ao encalço das estrelas"
(Raul Pompeia, Canções sem metro, 1900)


Mario Pederneiras - poeta simbolista do Rio de Janeiro
"Tu, minha linda Terra Carioca! {...}
Esquecida
Da feição providencial dos tempos primitivos,
A tua vida
Agora é esta,
Agitada, immodesta,
Toda feita de pompas e attractivos;
Os effeitos da luz ou as nuanças da côr,
Teu aspecto feliz e teu ar escorreito,
Tudo parece preparado e feito
Para a franca explosão do pasmo exterior,
Para a larga attração do dinheiro europeu." p. 30-31

"E, demais, quem não ama a Terra em que nasceu ?

Quem sabe mesmo se este desageito,
Que me parece que amollenta e enfada
Os dias claros e as manhãs serenas
Da vida calma de um logar remoto,
E esta superioridade,

Que proclamo e noto,
Da minha Terra sobre a Terra alheia,
Não são mais que o effeito,
De um natural syntoma neurasthenico
De um legitimo filho da Cidade ?"
Pederneiras, Mario, 1868-1915.  Outomno : versos - 1914. Rio de Janeiro: Livraria Editora Leite Ribeiro, 1921, p. 25, do poema "TERRAS ALHEIAS"

Murilo Mendes
"Tenho sede generosa,
Nenhuma fonte me basta.
Irmão! Vou te levar
O trigo das terras do Egito,
Até o trigo que não tenho.
Egito! Egito! Amontoei
Para dar um dia a outrem:
Eis-me nu, vazio e pobre.
A sombra fértil de Deus
Não me larga um só instante.
Tirai-me o colar da febre:
Eu vos deixo minha sede,
Nada mais tenho de meu."
1 MENDES, Murilo.
As metamorfoses

"A actividade humana augmenta, n'uma progressão pasmosa. Já os homens de hoje são forçados a pensar e a executar, em um minuto, o que os seus avós pensavam e executavam em uma hora. A vida moderna é feita de relámpagos no cerebro, e de rufos de febre no sangue. O livro está morrendo, justamente porque já pouca gente pode consagrar um dia todo, ou ainda uma hora toda, á leitura de cem paginas impressas sobre o mesmo assumpto. Talvez o jornal futuro,— para attender á pressa, á ansiedade, á exigência furiosa de informações completas, instantaneas e multiplicadas,—seja um jornal fallado, e illustrado com projecções animatographicas, dando, a um só tempo, a impressão auditiva e visual dos acontecimentos, dos desastres, das catástrophes, das festas, de todas as scenas alegres ou tristes, serias ou futeis, d esta interminável e complicada comedia, que vivemos a representar no immenso tablado do planeta..."
Olavo Bilac, 1904

"E como pássaros fechados dentro das prisões a cantarem baladas ao sol, aqui estou neste exílio da vida cantando e vibrando de uma doçura que não sei de onde veio"
Santa Rita Junior (1879—1944)

Lívio Barreto
"Ora quem diria que eu
Nihilista da hypocrisia,
De quem até se dizia.
Ser atheu,
Havia de ir para o seio
Fluidicamente pacato
Da burgueza sociedade,
Como um morganho que veiu
De muito boa vontade
Cahir na bocca de um gato!"
Lívio Barreto: 1870 — 1895
Poeta cearense simbolista de vida curta... O poema provavelmente foi escrito entre 1892-1895.

Antonio Candido
"O que é preciso não é banir a especulação a pretexto de
eficiência (bela eficiência temos tido nós, que não sabemos especular!), mas especular sempre e cada vez mais. Os temas aparentemente mais absconsos encerram uma semente de progresso espiritual e, portanto, cultural. O que falta ao Brasil não é apenas pensar a sua realidade, mas pensar os velhos problemas da filosofia, para que não fiquemos emparedados num nacionalismo sem sentido"
Antonio Candido em 1945
Notas de Crítica Literária — A filosofia no Brasil In: Candido. Antonio. Textos de intervenção. Seleção, apresentações e notas de Vinícius Dantas. São Paulo: Duas Cidades; Ed. 34, 2002, p. 264.

Graça Aranha
"Por isso a mocidade que surge é poderosamente analysta. Analysar a Terra, examinar todas as possibilidades do paiz, sondar os seus abysmos physicos e moraes, é a lição sportiva que retempera a armadura do joven moderno. Por esse supremo methodo, o conhecimento não se limita á analyse das forças actuaes e perennes, estende-se ao passado para saber as origens, e situar os factos nas suas épocas com. limpidez e decisão, sem recorrer ao engodo da perspectiva convencional". p. 8

"O espirito tudo transmuda em funcção esthetica, seja a religião pela criação das formas, pelo movimento ascensional do homem á divindade, seja a sciencia na analyse, na synthese, na transformação da matéria, seja a arte pela naturalidade realisadorà dos valores essenciaes e pela fusão do ser humano no Universo, seja a politica no equilibrio das classes na geometria da construcção nacional, na trajectoria do destino do paiz, seja a simples vida que é a busca da harmonia entre os seres e destes com o Universo, de que são fragmentos, em tudo a esthetica como a sublime luz, que é dada aos ephemeros para perceber nas miragens da consciência o inexorável e infindo mysterio do Inconsciente". p. 11
Aranha, Graça. MOCIDADE E ESTÉTICA. Estética. Rio de Janeiro, ano 1, v. 1, n. 1, p. 3-11, set. 1924.


Jean-Luc Nancy; Anne-Marie Lang; Philippe Lacoue-Labarthe
La « poésie romantique » dont il sera sans cesse question dans ce
livre a toujours voulu signifier ce qu'elle signifie — non sans ironie, mais
pas non plus sans ambiguïté — dans ce propos de Dorothea Schlegel :
« Puisqu'il est décidément contraire à l'ordre bourgeois et absolument
interdit d'introduire la poésie romantique dans la vie, que l'on fasse plutôt
passer sa vie dans la poésie romantique; aucune police et aucune institution
d'éducation ne peut s'y opposer. »
Lettre à ses fils citée in Ullmann et Gotthard (cf. p. 8, n. 1), p. 61.
p. 14
La Romantik, clans plusieurs
autres fragments posthumes, est la rubrique d'une « science » analogue à
la Poetik, à la Physik ou à la Mystik.
p. 15

17
comme le noyau d'une organisation appelée à se
développer en « réseau » et le modèle d'une pratique de vie nouvelle.
Friedrich, qui tiendra le plus à cette forme de communauté et en sera le
véritable animateur, sera finalement tenté d'en parler en termes de société
secrète.
Jean-Luc Nancy; Anne-Marie Lang; Philippe Lacoue-Labarthe. L'absolu litteraire: theorie de la litterature du romantisme allemand. Paris: Éditions du Seuil, 1978.

Monday, March 13, 2017

Curso de Teoria Literária I- 2017-01



Terça e quinta, turma 1: 11:10 - 12:50

Turma 2: 14:00 às 15:40

Primeira aula: poema de Armando Freitas Filho

Avaliação para Rita
"Infantil." Quando em voz baixa a ferida foi nomeada, ela começou a sangrar, ininterrupta para quem a sofria sem saber se era dor ou aprendizado.
A vida da ferida era sua vida mais castigo do que crime copiada desde o começo: dever de caligrafia em caderno pautado sobre a carteira que estendeu sua tábua até a mesa do escritório.
A letra inicial foi se formando através de sete décadas, e continua corrigindo o tremor da primeira folha e chega à de hoje, tremida por outro motivo e sentimento.

FILHO, Armando Freitas. Dever. São Paulo: Companhia das Letras, 2013, p. 65.

Veja o material de: Trechos para aula Poesia e despersonalização

Leituras teóricas:
Friedrich Schlegel- conversa sobre poesia (p. 29 a 46)
André Jolles- "o mito", do livro Formas simples
George Steiner - Tigres no espelho, sobre Borges

Textos literários:
Charles Baudelaire - Pequenos poemas em prosa e
Flores do mal
Cruz e Sousa - Missal
Jorge Luis Borges - O aleph (ler "Os teólogos" e o último conto, cujo título é "O aleph")
Fernando Pessoa /Alberto Caeiro - O guardador de rebanhos


Tuesday, November 15, 2016

Trechos para aula Poesia e despersonalização- aula-17/11/2016


Aula sobre o livro:


Resumo do livro:
http://www.revistaserrote.com.br/2015/06/cultura-do-deficit-de-atencao/

“Alguma coisa me fica do mundo antigo.”

Murilo Mendes (1994, p. 110)
“Nunca houve um monumento da cultura que não fosse também um monumento da barbárie” (BENJAMIN, 1994, p. 225)

A palavra cria o real?
O real cria a palavra?
Mais difícil de aferrar:
Realidade ou alucinação?

Ou será a realidade
Um conjunto de alucinações? (MENDES, 1994, p. 739)

ENTREFILMADO
“o filme parou meus relógios [...]
eu procurei uma vertigem qualquer
onde me apoiar [...]
a luz do filme coagulou meu pensamento
e vi sobre o planalto
as tribos todas se sucedendo
as raças todas se misturando na correnteza
de explosões e crônicas e azedumes
e chibatas e delírios e dinheiro
dinheiro dinheiro”
Afonso Henriques Neto (1985, sem numeração de página)

“No filme, a percepção sob a forma de choque se impõe como princípio formal. Aquilo que determina o ritmo da produção na esteira rolante está subjacente ao ritmo da receptividade, no filme” (BENJAMIN, 1989, p. 125; BENJAMIN, 1991, p. 631).

1935: “Quanto aos espíritos, já se vê que são solicitados e seduzidos por tantos prestígios imediatos, tantos excitantes diretos que lhe dão, sem esforço, as sensações mais intensas e representam-lhes a própria vida e a natureza totalmente presente, que podemos duvidar se nossos netos encontrarão o menor sabor nas graças antiquadas de nossos poetas mais extraordinários e de qualquer poesia em geral” (VALÉRY, 1991, p. 185).

Aldous Huxley, em Céu e inferno, diz que a Londres ainda do final do século XIX possuia “letras luminosas” que, projetando-se “contra o céu eram uma novidade, e tão raras eram que rasgavam o manto da noite ‘quais pedras de um adereço’”. O autor cita aqui o original like captain jewels in the carcanet Soneto 52 de Shakespeare (SHAKSPEARE, 1821, p. 273). “[...] Hoje não há mais encantamento. O néon está em toda parte e, assim sendo, perdeu seu efeito sobre nós” (HUXLEY, 1966, p. 75-76).
(BAUDELAIRE, 1986, p. 41, “enquanto nós, poetas e filósofos, regeneramos nossa alma pelo trabalho sucessivo e pela contemplação; pelo exercício assíduo da vontade e pela nobreza permanente da intenção, criamos para nosso uso um jardim de beleza verdadeira”).

“Outra cidade”, de Gab Marcondes
era uma cidade
onde poucos
andavam na rua
as autoridades, os jornais
diziam que era perigoso

nano receptores auriculares
carros inteligentes
óculos de interatividade visual
dispositivos para locomoção
toda espécie de próteses

andar na rua
se expor ao vento,
sol, calor, frio, chuva,
doenças contagiosas
radiações, medo
era coisa de pobres,
loucos, idiotas
ou revolucionários

nessa cidade
um poeta atirou uma pedra para quebrar uma vitrine

mas era uma cidade inexistente
lá os vidros não quebram

aqui os cacos
ainda estão no chão
quem ali pisou
viu surgir
um corte
uma incisão
de onde saiam
as seguintes palavras:

Em caso de emergência pare o tempo
(MARCONDES, 2014, p. 13)

“Marx havia dito que as revoluções são a locomotiva da história mundial. Mas talvez as coisas se apresentem de maneira completamente diferente. É possivel que as revoluções sejam o ato, pela humanidade que viaja nesse trem, de puxar os freios de emergência” (LÖWY, 2005, p. 93-94; BENJAMIN, 1991, p. 1232).

BENJAMIN, Walter. Magia e técnica, arte e política. Ensaios sobre literatura e cultura. São Paulo: Brasiliense, 1994.
BENJAMIN, Walter. Gesammelte Schriften I. Frankfurt am Main: Suhrkamp, 1991.
BENJAMIN, Walter. Charles Baudelaire: um lírico no auge do capitalismo. São Paulo: Brasiliense, 1989.
HUXLEY, Aldous. As portas da percepção e O céu e o inferno. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1966.
LÖWY, Michael. Walter Benjamin: aviso de incêndio: uma leitura das teses “Sobre o conceito de historia”. Sao Paulo: Boitempo, 2005.
MARCONDES, Gab. Em caso de emergência pare o tempo. Rio de Janeiro: Circuito, 2014.
MENDES, Murilo. Poesia completa e prosa. Rio de Janeiro: Ed. Nova Aguilar,
1994.
NETO, Afonso Henriques. Tudo, nenhum. São Paulo: Massao Ohno, 1985.

Sunday, September 04, 2016

Teoria literária II 2016-02


Curso de Teoria Literária II 2016-02,

terça e quinta, 11:10 - 12:50, sala F-103

Ementa: Estudaremos a teoria do gênero literário abordando, nas origens da história da literatura, como se iniciou a necessidade da fixação das formas e sua diferenciação, das formas simples aos gêneros complexos. Focando especialmente a poesia e o conto, leremos alguns textos teóricos clássicos e contemporâneos.


Texto para ler no início do curso:
Íon de Platão

Leituras:
Novalis-Hinos à noite
Friedrich Schlegel- conversa sobre poesia
André Jolles- "o mito", do livro Formas simples
Emil Staiger-conceitos fundamentais de poética

Livro:
Guimarães Rosa- Cara de Bronze (p. 73 a 130)
Fernando Pessoa-Livro do desassossego

Sobre gêneros literários:
Angelica Soares-Gêneros Literarios


livro sobre análise literária:
Massaud Moisés - Análise literária
Consulta de dicionários:
Dicionário de teoria da narrativa
Diccionario de los símbolos

Como fazer o trabalho:
Instruções de como fazer o trabalho


Cronologias
http://eduardoguerreirobblosso.blogspot.com.br/2014/08/observacoes-teoria-literaria-iii-2014.html
http://eduardoguerreirobblosso.blogspot.com.br/2013/11/cronologias-de-literatura-e-filosofia.html

Tuesday, August 30, 2016

Curso de Pós: 2016-02- Poesia e despersonalização: questões arcaicontemporâneas

Curso de Pós: 2016-02
Título: Poesia e despersonalização: questões arcaicontemporâneas
Alberto Pucheu e Eduardo Guerreiro B. Losso
5ª feira, às 14:00, sala H-320b


Ementa: Desde cedo, a poesia não se contentou com a expressão individual, buscando a experiência de sair para fora de si. Ao seguir os caminhos incontroláveis da linguagem, ela foi determinante para a constituição do sujeito e  para sua transgressão, criando relações analógicas com diferentes imagens, traços de memória e entre as temporalidades mais distantes. Pensar a modulação entre poesia e despersonalização enquanto uma das questões que atravessam a história é estabelecer uma relação intrínseca entre o arcaico e o contemporâneo, de modo a um atuar sobre o outro indiscernibilizando-os a cada vez que se cria uma nova singularidade na escrita. Se o tempo não é progressivo, seus cortes no sujeito são captados, fomentados e refletidos pela poesia e pela teoria. Atravessaremos o conflito platônico entre poesia e filosofia, a técnica e a possessão divina, cartas de Keats, Rimbaud e Pessoa, a magia da linguagem em Novalis, as trilhas de Leonardo Fróes, o verso e a ideia da prosa em Agamben e na poesia contemporânea brasileira (como na de Annita Costa Malufe), os efeitos do déficit de atenção na contemporaneidade a partir de Christoph Türcke, a tensão atual entre natureza e máquina, bem como a relação entre poesia e política.


Bibliografia básica:


AGAMBEN, Giorgio. Ideia da prosa. Tradução de João Barrento. Lisboa: Edições Cotovia, 1999.
FRÓES, Leonardo. Trilha; poemas 1968-2015. Rio de Janeiro: Azougue Editorial, 2015.
HALLIWELL, Stephen. Between ecstasy and truth: interpretations of Greek poetics from Homer to Longinus. Oxford: Oxford University Press, 2011.
KEATS, John. Carta A Richard Woodhouse, em 27 de outubro de 1818. Tradução de Alberto Pucheu. Belém: Revista Polichinelo número 12, 2010.
KOPENAWA, Davi et ALBERT, Bruce. A queda do céu. Tradução: Beatriz Perrone-Moisés. São Paulo: Cia. das Letras, 2015.
MALUFE, Annita Costa. Um caderno para coisas práticas. Rio de Janeiro: Editora 7 Letras, 2016.
NOVALIS. Pólen: fragmentos, diálogos, monólogo. Org. de Rubens Rodrigues Torres Filho. São Paulo: Iluminuras, 1988.
PLATÃO. Íon. Trad. Cláudio Oliveira. Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2011.
TÜRCKE, Cristoph.  Sociedade excitada: filosofia da sensação. Campinas: Editora da Unicamp, 2010.


Aulas

dia 01/09/2016: Introdução do curso

Leituras para o dia 08/09/2016:
PLATÃO. Íon. Trad. Cláudio Oliveira. Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2011.

Complementos:
"A poesia e seus entornos interventivos (uma tetralogia para o Íon, de Platão) 138" do livro
Pelo colorido, para além do cinzento. (A literatura e seus entornos interventivos), Alberto Pucheu
e
O que há de magia na poesia? Comparando poéticas do encantamento - Eduardo Guerreiro Brito Losso

1- 08/09/2016: Ion, de Platão
2- Ion
3- Livro de Davi Kopenawa, A queda do céu
4- Novalis

O calendário de novembro e dezembro fica assim então:
dia 10: não haverá aula: encerramento do Claro Enigma
dia 17: Christoph Türcke-Cultura do déficit de atenção
dia 24: não haverá aula: Simpósio da pós
dia 1: Verso e prosa- Agamben
dia 8: Leonardo Fróes. 


Sunday, April 17, 2016

Teoria literária II 2016-01




Ementa: Estudaremos teoria da gênero literário abordando, nas origens da história da literatura, como se iniciou a necessidade da fixação das formas e sua diferenciação, para se chegar as formas simples e se desenvolver os gêneros complexos. Focando especialmente a poesia, vamos ler alguns textos teóricos clássicos e contemporâneos.



Leituras principais:
Friedrich Schlegel- conversa sobre poesia
André Jolles- "o mito", do livro Formas simples
Emil Staiger-conceitos fundamentais de poética
Livro:
Guimarães Rosa- Cara de Bronze (p. 73 a 130)
Goethe- As afinidades eletivas

Sobre gêneros literários:
Angelica Soares-Gêneros Literarios


livro sobre análise literária:
Massaud Moisés - Análise literária
Consulta de dicionários:
Dicionário de teoria da narrativa
Diccionario de los símbolos

Como fazer o trabalho:
Instruções de como fazer o trabalho


Cronologias
http://eduardoguerreirobblosso.blogspot.com.br/2014/08/observacoes-teoria-literaria-iii-2014.html
http://eduardoguerreirobblosso.blogspot.com.br/2013/11/cronologias-de-literatura-e-filosofia.html


"Aos países licenciosos e dissolutos! - a serviço das mais monstruosas explorações industriais ou militares."
Rimbaud
"Monumento que cresce sem cessar com descobertas quotidianas, em vossas minas de diamantes, e com explorações científicas, em vossos soberbos domínios. Ó matemáticas santas, que possais, por vosso comércio perpétuo, consolar o restante dos meus dias da maldade do homem e da injustiça do Grande Todo!"
Lautréamont
 "Ε apenas encontrou na ideia gasta 
O horror dessa mecânica nefasta, 
A que todas as cousas se reduzem!" Augusto dos Anjos

Teoria literária III 2016-01



Ementa:
Faremos a exposição geral da história da crítica literária da Antiguidade até o século XIX, fazendo a leitura de alguns textos fundamentais, de modo a observar como o conflito entre dom natural e necessidade de técnica (com sua elaboração de regras) atravessa os tempos e se desdobra no paradigma classificatório, analítico, e o paradigma da inspiração, sublime. Observaremos, especialmente, qual o papel da oposição entre imanência e transcendência, em que a natureza e a arte, uma para a outra, desempenha ora o papel de exemplo (Vorbild), ora o de cópia (Nachbild). As categorias estéticas de belo e sublime propõem diferentes reações do olhar estético à natureza e mobilizam diferentes noções de formação e educação estética. Por isso, a literatura se aproxima ora da teologia, ora da magia, ora da ciência, até encontrar sua autonomia.

Textos de fundamentos críticos a serem abordados:
Antiguidade

Fontes:
Platão- República
Íon de Platão
 Poética de Aristóteles
Horácio-arte poética
Longino, Do sublime.
OBS: a introdução é de Jackie Pigeaud

Fonte complementar: Quintiliano-Instituições oratórias

Era Moderna:
Boileau- A arte poética
Immanuel Kant- crítica do juízo
Friedrich Schiller-Educação estética do homem

Textos literários:
Ésquilo-Prometeu acorrentado
HOMERO-Iliada

Como fazer o trabalho:
Instruções de como fazer o trabalho

Leituras complementares:
http://www.revistas.usp.br/pg/issue/view/5404

Miguel Vedda-Sublimidad estética y ascetismo burgués
Luiz Costa Lima-beleza livre e a arte não-figurativa
Hartmut Böhme-teoria do sublime a partir do olhar

livro sobre análise literária:
Massaud Moisés - Análise literária
Consulta de dicionários:
Dicionário de teoria da narrativa
Diccionario de los símbolos

Cronologias
http://eduardoguerreirobblosso.blogspot.com.br/2014/08/observacoes-teoria-literaria-iii-2014.html
http://eduardoguerreirobblosso.blogspot.com.br/2013/11/cronologias-de-literatura-e-filosofia.html

"Um poeta deve ser mais útil que qualquer cidadão da 
sua tribo. Sua obra é o código dos diplomatas, dos legisladores, dos 
instrutores da juventude." Lautreamont

"Relógios imperturbáveis, arcangélicos, oscilografam ameaças interplanetárias. No silêncio monumental a morte se espirala nos transformadores. Até parece a precisão dos tangos." Oswald de Andrade
"Aquele que dorme solta gemidos semelhantes aos de um condenado à morte, até despertar e perceber que a realidade é três vezes pior que o sonho. Devo terminar de cavar este fosso, com minha pá infátigável, para que ele esteja pronto amanhã cedo." Lautreamont
"A criação de alguma espécie de paraíso não é impossível, se ao menos existir uma vontade." Mondrian