dialética negativa

Monday, May 03, 2021

Curso de pós-graduação na UFRJ de 2021-1: Reencantamento do mundo na expressão poética e musical

 

PROGRAMA: CIÊNCIA DA LITERATURA
DISCIPLINA: Poiesis: arte e cultura enquanto identidade e diferença
PROFESSOR: Eduardo Guerreiro Brito Losso
Siape: 1721533
CÓDIGO: 
PROFESSOR:
Siape:
PERÍODO: 2021.1
NÍVEL: M/D

ÁREA DE CONCENTRAÇÃO: Teoria Literária/ literatura comparada
HORÁRIO: quarta, 17h 
Inicia dia 5 de maio, termina 1 de setembro de 2021; o curso será feito de aulas assíncronas em vídeo e encontros síncronos de conversa sobre questões, textos e vídeos.
TÍTULO DO CURSO: Reencantamento do mundo na expressão poética e musical: da Belle Époque à contracultura

Ementa: Alguns teóricos da literatura moderna, como Octavio Paz e Michael Löwy, entendem que o romantismo inaugurou uma estética revolucionária e libertadora. É comum salientar ligações entre o romantismo e o modernismo que apontam para um comum apagamento da fronteira entre arte e vida e uma revolta contra o racionalismo utilitarista em prol do reencantamento do mundo a partir do desencantamento dos dogmas e das instituições tutelares. 

Seguindo tal linhagem fundamental da modernidade literária, muitos elidem o papel crucial que o período do final do século XIX desempenhou na história. Se a boemia artística nasceu no romantismo parisiense dos anos 1830, ela só cresceu e se desenvolveu numa ligação indissociável com cafés literários e experimentação estética no período de efervescência do decadentismo e do simbolismo, especialmente na década de 1880, cuja história em Paris é pouco lembrada e deve ser reconstituída. A convivência entre artistas criou uma especial valorização da musicalidade, melódica ou harmônica, da estrutura verbal, além de uma das principais revistas do movimento ser dedicada somente a Wagner. 

No Brasil, a irrupção do simbolismo se deu nos anos 1890 em todo Brasil, com destaque para o Rio de Janeiro de Cruz e Sousa e Gonzaga Duque e para a Curitiba da revista Cenáculo. Na comparação da atividade da juventude literária do movimento francês e brasileiro, nosso interesse incidirá nas diferenças de repercussão que o combate juvenil pelo sonho e pelo mistério encontrou na cidade literária central, onde venceu, e na periferia do capitalismo, onde se manteve marginal frente aos parnasianos. O ponto de maior destaque é que, se no romantismo a revolta existencial e o pendor antiburguês ainda eram setoriais, no simbolismo se tornou basilar. 

Tendo como horizonte as conquistas éticas e estéticas da Belle Époque, as vanguardas do século XX puderam radicalizar o efeito de choque e de fragmentação inconsciente. A melodia verbal de mulheres poetas Gilka Machado e Cecília Meireles e o surrealismo apocalíptico de Murilo Mendes são manifestações de estados de alma que reúnem diferentes tipos de afinidade com o universo musical, anseio por liberdade verbal e social, bem como inquietação espiritual. 

O ponto de convergência de toda a trajetória da boêmia artística, sempre minoritária e marginal dentro da sociedade, é a contracultura dos anos 60 e 70, que deu voz ao jovem contestador, libertário e pacifista e privilegiou o rock psicodélico como sua principal manifestação cultural. O grande exemplo brasileiro a ser analisado será a banda tropicalista Os Mutantes, que conseguiu realizar uma das mais cultuadas séries de álbuns do psicodelismo mundial. Nela, podemos reconhecer o ponto culminante da associação entre poesia onírica e sonoridade lisérgica.

O curso pretende atravessar tais momentos históricos para refletir sobre a correlação entre pacifismo e feminismo, avanços formais e imersões espirituais, cosmopolitismo e naturismo como forma de liberação comportamental, ambiguidade verbal e inefabilidade musical, cultivo da solidão para a experiência interior e associação comunitária enquanto defesa política da arte.

 BIBLIOGRAFIA GERAL

ADORNO, Theodor. Prismas: crítica cultural e sociedade. São Paulo: Ática, 2001.

BENJAMIN, Walter. Magia e técnica, arte e política. Ensaios sobre literatura e cultura. São Paulo: Brasiliense, 1994.

BORGES, Jorge Luis. Prólogos: com um prólogo dos prólogos. Rio de Janeiro: Rocco, 1985.

CALADO, Carlos. A divina comédia dos Mutantes. São Paulo: Editora 34, 2012.

FOUCAULT, Michel. As palavras e as coisas. Uma arqueologia das ciências humanas. São Paulo: Martins Fontes, 2000.

LÖWY, Michael. A estrela da manhã: surrealismo e marxismo. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2002.

MICHAUD, Guy. Méssage poétique du symbolisme. Paris: Nizet, 1961.

PAZ, Octavio. Os filhos do barro: do romantismo à vanguarda. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1984.

VELOSO, Caetano. Verdade Tropical. São Paulo: Companhia das Letras, 1997.

WILLER, Claudio. Os rebeldes: Geração Beat e anarquismo místico. Porto Alegre: L&PM, 2014.

WILSON, Edmund. O castelo de Axel: estudo sobre literatura imaginativa de 1870 a 1930. Trad. José. Paulo Paes. São Paulo: Companhia das Letras. 2004.

O link regular para todas as aulas síncronas será esse:

Cronograma das aulas síncronas:
05/05 Primeira aula síncrona
Nela explicarei o funcionamento do curso: a relação dos vídeos assíncronos com a aula síncrona, 
modo de avaliação e textos utilizados. 

12/05 Segunda aula
26/05 Terceira aula
09/06 quarta aula
intervalo de produção dos vídeos seguintes
14/07 quinta aula
21/07 sexta aula
04/08 sétima aula
18/08 oitava aula

Parte 1Introdução do curso: Encantamento e desencantamento; desencantamento e reencantamento
Encantamento: ilusão e inefabilidade, niilismo e mística; mística e antimística; romantismo anticapitalista
Dominância do romantismo e modernismo - esquecimento do decadentismo e simbolismo
poeta pré-simbolista e simbolista: pendor antiburguês e anticlerical, orientalismo e esoterismo
poesia e música; música verbal, instrumental e cancional;
cosmopolitismo e natureza; sons, animais e plantas; meditação e drogas
boemia e contracultura: transformação comportamental

Leitura principal: 
Leitura para a segunda aula síncrona, 12/05:
"Conceito de romantismo" - LÖWY Michael. SAYRE, Robert. Revolta e melancolia: o romantismo na contramão da modernidade. Petrópolis, RJ: Vozes, 1995, p. 28-50.
Leitura para a terceira aula síncrona, 26/05:
"Crítica romântica da sociedade" - LÖWY Michael. SAYRE, Robert. Revolta e melancolia: o romantismo na contramão da modernidade. Petrópolis, RJ: Vozes, 1995, p. 51-70.
ADORNO, Theodor. Teoria estética. Lisboa: edições 70, 1982, p. 68-76. Tópicos: Comportamento mimético, aura e reprodução, montagem, construção, arte objetiva, encantamento e Aufklärung, técnica artística.

Leitura complementar: 
FEDERICI, Silvia. Re-enchanting the World: Feminism and the Politics of the Commons. Oakland: PM Press, 2019, p. 188-197: "Re-enchanting the World: Technology, the Body, and the Construction of the Commons".

Leituras complementares:
BACHELARD, Gaston. A poética do devaneio. São Paulo: Martins Fontes, 1988.
CERTEAU, Michel de. "Mystique". In:  Le lieu de l'autre: histoire religieuse et mystique. Paris: Gallimard/Le Seuil, 2005, p. 323-343.
LARGIER, Niklaus. “Mysticism, Modernity, and the Invention of Aesthetic Experience”. Representations, Vol. 105, No. 1 (Winter 2009), p. 37-60.
WILLER, Claudio. Um obscuro encanto: gnose, gnosticismo e poesia. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2010.
BÖHME, Hartmut. Natur und Subjekt. Frankfurt am Main: Suhrkamp, 1988.

Leituras complementares dos vídeos:
ELIADE, Mircea. O xamanismo e as técnicas arcaicas do êxtase. São Paulo: Martins Fontes, 2002.
ELIADE, Mircea. Historia de las creencias y de las ideas religiosas. De la Edad de Piedra a los Mistérios de Eleusis. Volumen I. Barcelona: Paidós, 1978. 
ELIADE, Mircea. Mito e Realidade. São Paulo: Perspectiva, 1972.
ELIADE, Mircea. O sagrado e o profano. A essência das religiões. Lisboa: Livros do Brasil, 1962.
FEDERICI, Silvia. Calibã e a Bruxa: Mulheres, Corpos e Acumulação Primitiva. São Paulo: Editora Elefante, 2019.
HUXLEY, Aldous. A situação humana. São Paulo: Biblioteca Azul, 2016.
INGOLD, Tim. Estar vivo: ensaios sobre movimento, conhecimento e descrição. Petrópolis:
Vozes, 2015.
KOPENAWA, Davi.  ALBERT, Bruce. A queda do céu: Palavras de um xami yanomami. Prefácio de Eduardo Viveiros de Castro. São Paulo: Companhia das letras, 2015.
PIERUCCI, António Flávio. O desencantamento do mundo: todos os passos do conceito em Max Weber. São Paulo: Editora 34, 2013.
SIMAS, Luiz Antônio. RUFINO, Luiz. Encantamento: sobre política e vida. Rio de Janeiro: Mórula, 2020. 
TOLSTÓI, Liev. Uma confissão. São Paulo: Mundo Cristão, 2016.
WEBER, Max. Ensaios de sociologia. Org. H.H. Gerth e C. Wright Mills. Trad. Waltensir Dutra. Revisão técnica: Prof. Fernando Henrique Cardoso. Rio de Janeiro: LTC, 1979. 

Parte 2- Antecedentes do simbolismo
Novalis: tradução de Maurice Maeterlinck: insensatez do poeta; 
Baudelaire: poética maldita e ascese indispensável (Foucault), imagens de imensidão, claridade e êxtase, sobre Wagner;
Rimbaud: Carta do vidente de 1871, cultivo da alma monstruosa, desregramento dos sentidos, atingir a loucura, visão do desconhecido
 Verlaine: musicalidade, sugestão, impreciosão e nuance poética ("Arte poética")
Mallarmé: "Demônio da analogia" de 1874, especulação abstrusa em torno da "voz", "murmúrio" e "entonação", intervenção do sobrenatural e angústia, "penúltima", decadência
André Gide: onipresença do paraíso, "Tratado de Narciso". 
Recaptulação e conexão dos traços principais: analogia, associação sinestésica, inauguração do terreno poético e estético, ascese poética, indeterminação e imprecisão, intimidade, imensidão, alteridade cósmica e aprimoramento da visão (visionarismo moderno).
Leitura principal para a quarta aula síncrona, 09/06:
GOMES, Alvaro Cardoso. O Simbolismo, Uma Revolução Poética. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2016, p. 11 a 26.

Leituras complementares:
RAMOS, Péricles Eugênio da Silva. "Poesia simbolista". Do barroco ao modernismo. Rio de Janeiro: Livros Técnicos e Científicos, 1979, p. 210-232.
MOISÉS, Massaud. A literatura brasileira: O simbolismo (1893-1902). São Paulo: Cultrix, 1966. 
BALAKIAN, Anna. O simbolismo. São Paulo: Perspectiva, 2007.

Parte 3História do decadentismo: França e Bélgica

Primeiros passos: salões de Nina de Villard, revistas, pintores, compositores, filósofos
onda mística e eventos de poesia nos cabarés, culto à Baudelaire e a junção do poeta com o revoltado
Jovens escritores belgas e sua relação com um brasileiro: João Itiberê
Ator, músico e poeta Maurice Rollinat, que publica o livro 'Névroses', de 1883 e apresenta fortes traços baudelairianos
Às avessas (À rebours) de J.-K Huysmans, onda wagneriana, explícita na Revue wagneriénne, fundada em 1885. 
Polêmicas: ataque da imprensa, a importância do conceito de "alma" e sua diferença em relação ao romantismo, Maurice Maeterlinck e Émile Verhaeren. 

Leitura principal da quinta aula síncrona, 14/07:
Trechos de Às avessas de J.-K Huysmans

Leituras complementares:
MERCIER, Alain. Sources Ésotériques et Occultes de la Poésie Symboliste (1870-1914). Le symbolisme français. Paris: Nizet, 1969.
MORETTO, Fulvia M. L. Caminhos do decadentismo. São Paulo: Perspectiva, 1989.
MARQUÈZE-POUEY, L. Le Mouvement décadent en France. Paris, PUF, 1986.
PIERROT, Jean. L’imaginaire décadent (1880-1900). Paris, PUF, 1977.
RICHARD, Noël. Le mouvement décadent. Paris, Nizet, 1968.

Parte 4- Transição e simbolismo
Transição: Laforgue: "sou um pessimista místico", ironia cósmica, neologismos, paisagem intelectual

Pequenas revistas, estímulos ingleses e russos, agrupamento em torno de Mallarmé e princípios de teorização de René Ghil

Jean Moréas e René Ghil, a publicação de sonetos de Mallarmé, Verlaine e outros dedicados a Wagner, a polarização interna dos grupos simbolistas, o manifesto de Moréas, 

Simbolismo propriamente dito: período das batalhas (1886-1888), o estabelecimento da ideia de símbolo, a acentuação do espiritualismo e a glória de Mallarmé.

Conquista do público, respostas de críticos literários de renome, o sentimento de falta de uma teoria e a importância crescente do esoterismo

Principais teóricos do simbolismo no momento de suas concepções de síntese: Edouard Schuré, George Vanor e Charles Morice.

Charles Morice: símbolo enquanto porta para o absoluto, arte enquanto reveladora do infinito, simbolismo enquanto resolução do divórcio entre arte e religião, fase de síntese, Evangelho das correspondências

Alargamento do movimento: "viver a vida espiritual", novas pequenas revistas literárias, triunfo de Mallarmé sobre Verlaine: o salão venceu o cabaré. Novos poetas: Valéry e Gide. 

Leitura principal para a quinta aula síncrona, 14/07:
Trechos de René Ghil e Mallarmé

Leituras complementares:
MICHAUD, Guy. Méssage poétique du symbolisme. Paris: Nizet, 1961.
SAGERET, Jules. La vague mystique. Paris: Flammarion, 1920.
MORICE, Charles. La littérature de Tout à l’heure. Paris: Perrin et Cie, 1889.

Parte 5Primeira geração simbolista brasileira: os anti-clericais do Paraná
Cenáculo: Júlio Perneta, Silveira Neto e Dario Vellozo: fundação de um pólo cultural, conflito com imigrantes e Igreja.
Defesa dos índios do sul: "pelos abogíneses". Ligação entre valorização da espiritualidade indígena e esoterismo de fim do século.  
Satanismo de Júlio Perneta e esoterismo de Dario Vellozo, religião da arte, escrita extravagante, nacionalismo: simbolistas como intérpretes do Brasil,  peculiaridade da paisagem paranaense.
Crus e Sousa: evocações

Leitura principal para a sexta aula síncrona, 21/07:
Poemas de Júlio Perneta, Silveira Neto, Dario Vellozo e Cruz e Sousa
Crítica: BEGA, Maria Tarcisa Silva. Letras e política no Paraná: simbolistas e anticlericais na República Velha. Curitiba: Editora UFPR, 2013.

Leituras complementares:
CAMPOS, Augusto de. Re-Visão de Kilkerry. São Paulo: Brasiliense, 1985.
LINS, Vera. O poema em tempos de barbárie e outros ensaios. Rio de Janeiro: EdUERJ, 2013.
LINS, Vera. Poesia e crítica: uns e outros. Rio de Janeiro: 7 Letras, 2005.
VASCONCELOS JÚNIOR, Gilberto Araújo de. O poema em prosa no Brasil (1883-1898): origens e consolidação. Tese de Doutorado. Rio de Janeiro: UFRJ/ FL, 2014.
VERAS, Eduardo Horta Nassif. O oratório poético de Alphonsus de Guimaraens: uma leitura do Setenário das Dores de Nossa Senhora. Belo Horizonte: Relicário, 2016.
SECCHIN, Antonio Carlos. Percursos da poesia brasileira: do século XVIII ao século XXI. Belo Horizonte: Autêntica, 2018.

Parte 6- simbolismo e modernismo: boemia e musicalidade
Lebensreform: Comunidade do Monte Vérita em Ascona, Suíça, boemia e comunidades alternativas
Gilka Machado e Cecília Meireles, Murilo Mendes e Jorge de Lima
Simbolismo tardio e surrealismo, católicos e progressistas, poesia e política, relação com o modernismo de 1922

Leitura principal sexta aula síncrona, 21/07:
Poemas de Gilka Machado, Cecília Meireles e Murilo Mendes
Trechos de BRETON, André. O amor louco. Lisboa: Editorial Estampa, 1971.
Primeiro Capítulo de LÖWY, Michael. A estrela da manhã: surrealismo e marxismo. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2002.
BENJAMIN, Walter. “O Surrealismo: O último instantâneo da inteligência europeia”. In: Obras Escolhidas. Magia e Técnica, Arte e Política. São Paulo: Brasiliense, 1995, p. 21-35.

Leituras complementares:
ARAÚJO, Gilberto. “Gilka Machado: corpo, verso e prosa”. Revista Brasileira, Rio de Janeiro, Ano III, n. 80, p. 115-128, Julho-Setembro 2014.
ALBUQUERQUE, Medeiros e. “Gilka da Costa Machado - Estados de Alma”. In: Páaginas de críitica. Rio de Janeiro: Leite Riberito & Maurillo, 1920, p. 67-81.
BINGEMER, Maria Clara Lucchetti. YUNES, Eliana Lucia Madureira (org.). Murilo, Cecília e Drummond: 100 anos com Deus na poesia brasileira. Rio de Janeiro: Loyola, 20
FARRA, Maria Lucia Dal. "Prefácio". In: MACHADO, Gilka. Poesia Completa. Org. Jamyle Rkain. São Paulo: V. de Moura Mendonça, 2017, p. 18-50.
FARRA, Maria Lucia Dal. “Gilka, a maldita”. Teresa: revista de literatura brasileira, n.15, p. 117-129, 2014.
GOUVÊA, Leila Vilas Boas. Pensamento e "lirismo puro" na poesia de Cecília Meireles. São Paulo: EdUSP, 2008.
GOTLIB, Nádia Batella. Gilka Machado: a mulher e a poesia. In: DUARTE, Constância Lima (org.). Anais do 5o Seminário Nacional Mulher e Literatura: Natal, 1 a 3 de setembro de 1993. Natal: UFRN: Ed. Universitária, 1995, p. 17-30.

Parte 7- Contracultura e banda de rock Os Mutantes
Geração contracultural: protesto e abertura da consciência; Psicodelismo: cultura das drogas, busca espiritual e vanguarda do rock para as massas
Mutantes: jovens talentosos e Rogério Duprat; reformulação psicodélico do rock anterior e da MPB: tropicalismo mutante; trabalho em torno da sonoridade e experimentação 
Disco de 1969: Don Quixote, 2001, Mágica, Caminhante noturno

Leitura principal para sétima aula síncrona, dia 04/08:
Audição do segundo disco de Mutantes, de 1969
Trechos de A divina comédia dos Mutantes, de Carlos Calado

sobre rock e contracultura  

Leituras complementares:
DAVIS, Erik. Techgnosis : myth, magic, and religion in the information age. New York: Harmony Books, 1998.
FELINTO, Erick. Silêncio de Deus, silêncios dos homens: Babel e a sobrevivência do sagrado na literatura moderna. Porto Alegre: Sulina, 2008.
HALASZ, Judith R. The bohemian ethos: questioning work and making a scene on the lower East Side.  New York: Routledge, 2015.
HANEGRAAFF, Wouter J. "Beyond the Yates Paradigm: the Study of Western Esotericism Between Counterculture and New Complexity". Aries. Amsterdam Institute for Humanities Research (AIHR), v. 1., issue 1, 2001, p. 5-37.
TURNER, Fred. From counterculture to cyberculture : Stewart Brand, the Whole Earth network, and the rise of digital utopianism. Chicago: The University of Chicago Press, 2006.
VELOSO, Caetano. Verdade Tropical. São Paulo: Companhia das Letras, 1997.
WILLER, Claudio. Os rebeldes: Geração Beat e anarquismo místico. Porto Alegre: L&PM, 2014.

Parte 8- Aprisionamentos e libertações da contemporaneidade
Utopias dos primeiros tempos da internet e colonização das grandes plataformas
Isolamento de massa e comunidades virtuais, déficit de atenção, mudança da percepção, política e cultura, arte e indústria cultural, poesia e rede social;
fim da canção e nichos de MPB, rock psicodélico e progressivo
Pandemia e confinamento: a tela como muro, tipo do "eremita de massa" (Günther Anders)
Possibilidades de ação política e trabalho de si

Leitura principal para a oitava aula síncrona, 18/08:
TÜRCKE, Christoph. Hiperativos! Abaixo a cultura do déficit de atenção. Tradução José Pedro Antunes e Eduardo Guerreiro B. Losso. São Paulo: Paz e Terra, 2016.

Leituras complementares:
COHN, Sergio. A reflexão atuante. Rio de Janeiro: Circuito, 2014.
CRARY, Jonathan. 24/7 - Capitalismo tardio e os fins do sono. São Paulo: Cosac Naify, 2014.

TÜRCKE, Christoph. Sociedade excitada: filosofia da sensação. Campinas: Editora da Unicamp, 2010.


Tuesday, May 12, 2020

Curso de pós-graduação na UFRJ de 2020-1 - Tradição delirante: aspiração de liberdade na linguagem e no comportamento

PROGRAMA: CIÊNCIA DA LITERATURA
DISCIPLINA:
PROFESSOR: Eduardo Guerreiro Brito Losso
Siape: 1721533
CÓDIGO: 9600
PROFESSOR:
Siape:
PERÍODO: 2020.1
NÍVEL: M/D

ÁREA DE CONCENTRAÇÃO: Teoria Literária
HORÁRIO: quinta, 17h
TÍTULO DO CURSO: Tradição delirante: aspiração de liberdade na linguagem e no comportamento
Ementa:
Em diferentes momentos da história, poetas, utopistas e místicos manifestaram o desejo de libertação de convenções da linguagem e de comportamento. Frequentemente uma ousadia estética esteve diretamente ligada a um desejo de desembaraço de coerções sociais e um gesto pessoal de ruptura cedo ou tarde contribui para um estímulo de transformação social.
Considerado por muitos como o primeiro movimento feminista europeu, a associação das beguinas foi um movimento de mulheres que dedicavam sua vida tanto a ajudar desamparados quanto a labores intelectuais e práticas espirituais. Uma das mais importantes, Marguerite Porete (1250-1310), foi queimada publicamente em Paris em 1310, sob acusação de heresia. As visões que se traduziam em escritos extravagantes e reflexões poéticas, para além da doutrinação e da racionalidade, orientavam-se para um novo modo de vida, diferenciado do patriarcalismo eclesiástico. A partir daí, toda uma tradição neoplatônica do uso da analogia vai radicalizar o pensamento filosófico renascentista com o uso de associações poéticas que buscam uma experiência mágica com a natureza.
Em tempos modernos, simbolistas e surrealistas herdam o desejo de experimentar alucinações com a linguagem, aquilo que Benjamin chama de iluminação profana, e pretendem secularizar a prática das correspondências num mundo metropolitano e laico. É nesse contexto que vão surgir diferentes personalidades especiais: de um simbolista como Cruz e Sousa (o nosso Dante negro), da simbolista feminista Gilka Machado, de modernistas como Murilo Mendes, Cecília Meireles e Jorge de Lima, da geração paulista de Roberto Piva e Claudio Willer, até as tendências psicodélicas do tropicalismo e da geração marginal, desembocando na poética contemporânea que retoma relações com a poesia e o pensamento ameríndio.
O curso pretende explorar não só a dimensão estética da linguagem extravagante, como também sua busca por uma arte de viver diferente das normas e hábitos dominantes - nobres,  burgueses ou eclesiásticos - e contra a tecnocracia racionalista e em direção a uma outra relação com o ambiente e a natureza. É no exercício de um permanente estudo de si mesmo para elaborar a solidão, a convivência com outros próximos e com a sociedade em geral que escritoras e escritores subversivos propõem modos de vida diferentes, nos quais o curso vai se debruçar.

 BIBLIOGRAFIA GERAL
AGAMBEN, Giorgio. Altíssima pobreza: regras monásticas e forma de vida [Homo Sacer, IV, 1]. São Paulo: Boitempo, 2014.
ADORNO, Theodor. Dialética negativa. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2009.
BENJAMIN, Walter. Magia e técnica, arte e política. Ensaios sobre literatura e cultura. São Paulo: Brasiliense, 1994.
BORGES, Jorge Luis. Prólogos: com um prólogo dos prólogos. Rio de Janeiro: Rocco, 1985.
CERTEAU, Michel de. A fábula mística séculos XVI e XVII: volume 1. Rio de Janeiro: Forense, 2015.
DELEUZE, Gilles. Crítica e clínica. São Paulo: 34, 1999.
FOUCAULT, Michel. As palavras e as coisas. Uma arqueologia das ciências humanas. São Paulo: Martins Fontes, 2000.
LÖWY, Michael. Redenção e utopia. O judaísmo libertário na Europa central: um estudo de afinidade eletiva. São Paulo: Companhia das Letras, 1989.
LÖWY, Michael. A estrela da manhã: surrealismo e marxismo. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2002.
PAZ, Octavio. Os filhos do barro: do romantismo à vanguarda. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1984.
VELOSO, Caetano. Verdade Tropical. São Paulo: Companhia das Letras, 1997.

Parte 1- Introdução ao curso: Tradição delirante: memória cultural e desvio da norma.  Ligação intrínseca entre mística e literatura moderna, analogia no romantismo e simbolismo.
Extravagância da linguagem, mudança comportamental e autotransformação.

Leitura principal:
PAZ, Octavio. Os filhos do barro: do romantismo à vanguarda. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1984, p. 81-103.

Leituras complementares:
BACHELARD, Gaston. A poética do devaneio. São Paulo: Martins Fontes, 1988.
DELEUZE, Giles. "A literatura e a vida". In: Crítica e clínica. São Paulo: Ed. 34, 1997, p. 11-16.
CERTEAU, Michel de. "Mystique". In:  Le lieu de l'autre: histoire religieuse et mystique. Paris: Gallimard/Le Seuil, 2005, p. 323-343.

Parte 2- Mística: adoração e irritação
Fascínio e rejeição da palavra, orientalismo e Ocidente, o inefável, a negatividade e os modos de dizer. Autossuperação e aventura existencial. História da mística: fundação, desenvolvimento e florescimento. Conflito entre iluminismo, mística teológica e esoterismo. Influência dessa história na história da literatura

Leitura principal:
JAMES, William. As Variedades da experiência religiosa: um estudo sobre a natureza humana. São Paulo: Cultrix, 1995.
MCGINN, Bernard. As Fundações da Mística: das Origens ao Século V. São Paulo: Paulus, 2012.

Leituras complementares:
LARGIER, Niklaus. “Mysticism, Modernity, and the Invention of Aesthetic Experience”. Representations, Vol. 105, No. 1 (Winter 2009), p. 37-60.
VAZ, Henrique de Lima. Experiência mística e filosofia na tradição ocidental. São Paulo: Loyola, 2009.
HANEGRAAFF, Wouter J. Esotericism and the academy: rejected knowledge in western culture. Cambridge: Cambridge University Press, 2012.
CERTEAU, Michel de. "Mystique". In:  Le lieu de l'autre: histoire religieuse et mystique. Paris: Gallimard/Le Seuil, 2005, p. 323-343.

Parte 3- Mulheres medievais e mística extravagante. Literatura vernacular e processo de secularização: fusão de ação e contemplação; diferença entre mística monástica, escolástica e vernacular (beguinas); mobilização fora-dentro do mundo, gêneros, narrativas da experiência.
Doutrina da semelhança: hermetismo renascentista, natureza como livro do mundo, assinatura das coisas, magia erudita, mistificação e desmistificação, encantamento e ilusão.
Mística e antimística.

Leitura principal:
Trechos de PORETE, Marguerite. O espelho das almas simples e aniquiladas e que permanecem somente na vontade e no desejo do Amor. Petrópolis: Vozes, 2008.
Trechos de ECKHART, Meister. Sermões alemães: sermões 1 a 60. Petrópolis: Vozes, 2006.
Trechos de AGRIPPA, Henrique Cornélio. Três livros de filosofia oculta. compilação e comentários de Donald Tyson; tradução Marcos Malvezzi. São Paulo: Madras, 2008.

Leituras complementares:
AGAMBEN, Giorgio. Altíssima pobreza: regras monásticas e forma de vida [Homo Sacer, IV, 1]. São Paulo: Boitempo, 2014.
BÖHME, Hartmut. Natur und Subjekt. Frankfurt am Main: Suhrkamp, 1988.
Mcginn, Bernard. O florescimento da mística: homens e mulheres da nova mística:1200-1350. São Paulo: Paulus, 2017.
LIBERA, Alain de. Pensar na idade média. São Paulo: Ed. 34, 1999.
STOCK, Brian. Ethics through Literature. Ascetic and Aesthetic Reading in Western Culture. London: University Press of New England, 2007.
HOLLYWOOD, Amy. Beckman, Patricia. The Cambridge Companion to Christian mysticism. Cambridge: Cambridge University Press, 2012.
HOLLYWOOD, Amy M. Sensible ecstasy: mysticism, sexual difference,  and the demands of history. Chicago: University of Chicago Press, 2002.
HOLLYWOOD, Amy M. The soul as virgin wife: Mechthild of Magdeburg, Marguerite Porete, and Meister Eckhart. Notre Dame: University of Notre Dame Press, 1995.
CERSOWSKY, Peter. Magie und Dichtung: zur deutschen und englischen Literatur des 17. Jahrhunderts. München: W. Fink, 1990.
YATES, Frances. Giordano Bruno e a tradição hermética. São Paulo: Cultrix, 1995.

Parte 4- Novalis, Decadentismo, Simbolismo e correspondências
Novalis: Magia da linguagem, sentido da natureza, síntese romântica
Primeiros baudelairianos, questionamento dos costumes conservadores e burgueses, crise dos valores: niilismo. Comparação entre Europa e Brasil.
Correspondências como estilo e poética, diferença entre decadentismo e simbolismo na história: França e Brasil, moda esotérica e meio literário-artístico.
Leitura principal:
Novalis: trechos de Cristandade e Europa e Os discípulos de Sais
CANDIDO, Antonio. "Os primeiros baudelairianos". A educação pela noite e outros ensaios. São Paulo: Ática, 1989, p. 23-38.
Poemas de Teófilo Dias, Venceslau de Queiroz, Medeiros e Albuquerque e Domingos do Nascimento

Leituras complementares:
RAMOS, Péricles Eugênio da Silva. "Poesia simbolista". Do barroco ao modernismo. Rio de Janeiro: Livros Técnicos e Científicos, 1979, p. 210-232.
MOISÉS, Massaud. A literatura brasileira: O simbolismo (1893-1902). São Paulo: Cultrix, 1966.
CAROLLO, Cassiana. Decadismo e simbolismo no Brasil: Critica e poética. Rio de Janeiro: Livros Técnicos e Cientificos Ed., 1981.
MICHAUD, Guy. Méssage poétique du symbolisme. Paris: Nizet, 1961.
MERCIER, Alain. Sources Ésotériques et Occultes de la Poésie Symboliste (1870-1914). Le symbolisme français. Paris: Nizet, 1969.
SAGERET, Jules. La vague mystique. Paris: Flammarion, 1920.
MORICE, Charles. La littérature de Tout à l’heure. Paris: Perrin et Cie, 1889.
WILLER, Claudio. Um obscuro encanto: gnose, gnosticismo e poesia. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2010.

Parte 5- Primeira geração simbolista brasileira: os anti-clericais do Paraná
Cenáculo: Júlio Perneta, Silveira Neto e Dario Vellozo: fundação de um pólo cultural, conflito com imigrantes e Igreja.
Satanismo de Júlio Perneta e esoterismo de Dario Vellozo, religião da arte, escrita extravagante, nacionalismo: simbolistas como intérpretes do Brasil,  peculiaridade da paisagem paranaense.
Crus e Sousa: evocações

Leitura principal:
Poemas de Júlio Perneta, Silveira Neto, Dario Vellozo e Cruz e Sousa
Crítica: BEGA, Maria Tarcisa Silva. Letras e política no Paraná: simbolistas e anticlericais na República Velha. Curitiba: Editora UFPR, 2013.

Leituras complementares:
CAMPOS, Augusto de. Re-Visão de Kilkerry. São Paulo: Brasiliense, 1985.
LINS, Vera. O poema em tempos de barbárie e outros ensaios. Rio de Janeiro: EdUERJ, 2013.
LINS, Vera. Poesia e crítica: uns e outros. Rio de Janeiro: 7 Letras, 2005.
VASCONCELOS JÚNIOR, Gilberto Araújo de. O poema em prosa no Brasil (1883-1898): origens e consolidação. Tese de Doutorado. Rio de Janeiro: UFRJ/ FL, 2014.
VERAS, Eduardo Horta Nassif. O oratório poético de Alphonsus de Guimaraens: uma leitura do Setenário das Dores de Nossa Senhora. Belo Horizonte: Relicário, 2016.
SECCHIN, Antonio Carlos. Percursos da poesia brasileira: do século XVIII ao século XXI. Belo Horizonte: Autêntica, 2018.

Parte 6- simbolismo e modernismo
Lebensreform: Comunidade do Monte Vérita em Ascona, Suíça, boemia e comunidades alternativas
Gilka Machado e Cecília Meireles, Murilo Mendes e Jorge de Lima
Simbolismo tardio e surrealismo, católicos e progressistas, poesia e política, relação com o modernismo de 1922

Leitura principal:
Poemas de Gilka Machado e Cecília Meireles, Murilo Mendes e Jorge de Lima
Trechos de BRETON, André. O amor louco. Lisboa: Editorial Estampa, 1971.
Primeiro Capítulo de LÖWY, Michael. A estrela da manhã: surrealismo e marxismo. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2002.
BENJAMIN, Walter. “O Surrealismo: O último instantâneo da inteligência europeia”. In: Obras Escolhidas. Magia e Técnica, Arte e Política. São Paulo: Brasiliense, 1995, p. 21-35.

Leituras complementares:
ARAÚJO, Gilberto. “Gilka Machado: corpo, verso e prosa”. Revista Brasileira, Rio de Janeiro, Ano III, n. 80, p. 115-128, Julho-Setembro 2014.
ALBUQUERQUE, Medeiros e. “Gilka da Costa Machado - Estados de Alma”. In: Páaginas de críitica. Rio de Janeiro: Leite Riberito & Maurillo, 1920, p. 67-81.
BINGEMER, Maria Clara Lucchetti. YUNES, Eliana Lucia Madureira (org.). Murilo, Cecília e Drummond: 100 anos com Deus na poesia brasileira. Rio de Janeiro: Loyola, 20
FARRA, Maria Lucia Dal. "Prefácio". In: MACHADO, Gilka. Poesia Completa. Org. Jamyle Rkain. São Paulo: V. de Moura Mendonça, 2017, p. 18-50.
FARRA, Maria Lucia Dal. “Gilka, a maldita”. Teresa: revista de literatura brasileira, n.15, p. 117-129, 2014.
GOUVÊA, Leila Vilas Boas. Pensamento e "lirismo puro" na poesia de Cecília Meireles. São Paulo: EdUSP, 2008.
GOTLIB, Nádia Batella. Gilka Machado: a mulher e a poesia. In: DUARTE, Constância Lima (org.). Anais do 5o Seminário Nacional Mulher e Literatura: Natal, 1 a 3 de setembro de 1993. Natal: UFRN: Ed. Universitária, 1995, p. 17-30.

Parte 7- Contracultura e contemporaneidade:
Roberto Piva, Afonso Henriques Neto, tropicalismo, Azougue, contemporâneos

Leitura principal:
Tradição delirante: poemas de Roberto Piva, Afonso Henriques Neto, Sergio Cohn, Marco Lucchesi, Waldo Motta.  

Outros contemporâneos: Armando Freitas Filho, Evando Nascimento, Claudia Roquette-Pinto.

Leituras complementares:
COHN, Sergio. A reflexão atuante: ensaios interventivos e entrevistas. Rio de Janeiro: Circuito, 2015.
DAVIS, Erik. Techgnosis : myth, magic, and religion in the information age. New York: Harmony Books, 1998.
FELINTO, Erick. Silêncio de Deus, silêncios dos homens: Babel e a sobrevivência do sagrado na literatura moderna. Porto Alegre: Sulina, 2008.
HALASZ, Judith R. The bohemian ethos: questioning work and making a scene on the lower East Side.  New York: Routledge, 2015.
HANEGRAAFF, Wouter J. "Beyond the Yates Paradigm: the Study of Western Esotericism Between Counterculture and New Complexity". Aries. Amsterdam Institute for Humanities Research (AIHR), v. 1., issue 1, 2001, p. 5-37.
TURNER, Fred. From counterculture to cyberculture : Stewart Brand, the Whole Earth network, and the rise of digital utopianism. Chicago: The University of Chicago Press, 2006.
VELOSO, Caetano. Verdade Tropical. São Paulo: Companhia das Letras, 1997.
WILLER, Claudio. Os rebeldes: Geração Beat e anarquismo místico. Porto Alegre: L&PM, 2014.